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Educação e Formação

IFSC e ACATMAR assinam acordo de cooperação técnica para tirar a Marina Escola do papel

12 de setembro de 2026
IFSC e ACATMAR assinam acordo de cooperação técnica para tirar a Marina Escola do papel
Foto: Divulgação IFSC

O Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e a ACATMAR, Associação Náutica Brasileira, assinaram o Acordo de Cooperação Técnica que dá sustentação institucional à Marina Escola do Câmpus Florianópolis-Continente. O documento foi firmado eletronicamente em setembro de 2026 pelo reitor do IFSC, Zízimo Moreira Filho, e pelo presidente da ACATMAR, Leandro "Mané" Ferrari.

O objetivo é apoiar a implantação, o desenvolvimento e a consolidação da Marina Escola como ambiente permanente de formação profissional, pesquisa aplicada, extensão e inovação voltado à Economia do Mar. O acordo tem vigência de 60 meses, ou cinco anos, com avaliações previstas nos meses 12, 24 e 36, e não envolve transferência de recursos financeiros entre as instituições: cada uma executa suas atividades com estrutura, equipe e recursos próprios.

O que é a Marina Escola

Apresentado em 2025, o projeto da Marina Escola nasce da união de duas vocações que o Câmpus Florianópolis-Continente já reúne: a náutica e a gastronomia. De um lado, formação em manutenção, operação e serviços de embarcações. De outro, hospitalidade embarcada e experiências gastronômicas ligadas ao turismo náutico, área em que o câmpus é referência.

A proposta prevê cais flutuante, vagas para embarcações e laboratórios, transformando a orla do câmpus, às margens da Baía Norte, em sala de aula. O projeto segue em etapas, com estudos de viabilidade técnica, econômica e ambiental, elaboração do projeto construtivo e acadêmico, aprovações internas e externas e captação de recursos.

O que o acordo coloca em movimento

O termo organiza a parte que costuma ficar solta entre a escola e o mercado. Estão previstos o intercâmbio de informações e boas práticas sobre economia do mar, a identificação e a atualização periódica das demandas de formação e qualificação do setor náutico e a análise consultiva de cursos, oficinas e minicursos da Marina Escola quanto à aderência ao que o mercado de fato precisa.

O acordo também prevê a realização conjunta de palestras, oficinas, seminários, eventos, visitas técnicas, estudos e pesquisas; a aproximação com marinas, estaleiros, empresas de construção e manutenção de embarcações, operadores de turismo náutico, prestadores de serviços e órgãos ligados à governança costeira; e a prospecção de estágios, vivências profissionais, projetos de inovação e novas parcerias.

Ao IFSC cabe coordenar a Marina Escola e definir objetivos, conteúdos, metodologia, equipe, certificação e condições de oferta dos cursos, preservadas a autonomia e as competências acadêmicas da instituição. O acompanhamento técnico pelo IFSC ficará a cargo do professor Tiago Savi Mondo.

À ACATMAR cabe atuar como elo institucional entre a Marina Escola e as empresas, entidades, profissionais e trabalhadores do setor, mobilizando o segmento para as atividades, analisando de forma consultiva a pertinência dos cursos e facilitando, mediante autorização dos responsáveis, o acesso a marinas, estaleiros, embarcações e outros ambientes profissionais para fins educacionais e científicos. A interlocução foi atribuída ao presidente da associação, Mané Ferrari.

Pesquisa e extensão conversando com o setor

"A assinatura do termo de cooperação técnica entre IFSC e ACATMAR é mais um passo para fortalecer a economia azul, unindo a pesquisa e a extensão com as demandas reais e o crescimento do setor náutico catarinense", afirma Vinicius de Luca Filho, diretor-geral do Câmpus Florianópolis-Continente.

Para a ACATMAR, o acordo ataca um gargalo que as empresas do setor repetem há anos.

"Falta gente qualificada, essa é a resposta que a gente ouve de estaleiro, de marina e de prestador de serviço em todo o litoral. Santa Catarina responde por cerca de 70% da produção nacional de embarcações de esporte e recreio, mas quem contrata sabe que a mão de obra não cresceu no mesmo ritmo. A Marina Escola coloca a formação dentro de uma instituição pública de excelência, com o setor produtivo sentado à mesa desde o começo", diz Mané Ferrari, presidente da ACATMAR.

"O papel da ACATMAR aqui é ser ponte nos dois sentidos: levar a demanda real das empresas para dentro do IFSC e levar o estudante para dentro da marina, do estaleiro e do barco. Sem repasse de dinheiro, com trabalho, rede e presença. É assim que uma parceria dura cinco anos e vira resultado", completa.

Por que isso importa para a Economia do Mar

O Brasil tem 266.839 lanchas, 160.992 motos aquáticas e 17.935 veleiros registrados na Marinha. É uma frota de esporte e recreio espalhada pelo litoral inteiro, pelos grandes lagos e pelas hidrovias do interior, e que precisa de manutenção, guarda, reparo, operação e serviço o ano todo.

Atender essa frota é trabalho de 9.382 empresas do setor náutico em atividade no país, e cerca de sete em cada dez são de serviços. A cadeia vai muito além do estaleiro: passa por motores, eletrônica embarcada, compósitos, marcenaria, estofamento, pintura, design, engenharia, logística, manutenção, marinas, comércio e turismo. Cada um desses elos precisa de gente formada, e boa parte dessa formação ainda acontece de maneira informal, no aprendizado dentro da própria oficina.

O país não tem uma rede de ensino técnico dedicada à náutica no tamanho da sua frota. É esse vazio que a Marina Escola começa a ocupar. Santa Catarina entra como ponto de partida por concentrar a maior parte da produção nacional de embarcações, mas a ACATMAR é uma associação brasileira e o modelo que sair do Câmpus Florianópolis-Continente nasce para ser replicado: onde houver marina, estaleiro e água navegável, há demanda por profissional qualificado, certificação reconhecida e porta de entrada para quem hoje não tem como chegar ao setor.

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