Exportações de barcos de Itajaí crescem 93% e reforçam a força da Economia do Mar

O setor náutico brasileiro segue ampliando sua participação no mercado internacional. No primeiro semestre de 2026, empresas estabelecidas em Itajaí exportaram US$ 8,7 milhões em iates e outras embarcações de esporte e lazer, um crescimento de 93% em comparação aos US$ 4,5 milhões registrados no mesmo período de 2025. O município liderou as exportações brasileiras do segmento.
Os números de comércio exterior mostram uma evolução importante, mas revelam algo ainda maior: a dimensão econômica que existe por trás de cada embarcação produzida. Para a ACATMAR, compreender o setor náutico apenas pelo número de barcos fabricados ou vendidos é enxergar somente uma parte de uma cadeia produtiva muito mais ampla.
Uma indústria que movimenta diferentes setores da economia
Antes de uma embarcação chegar à água, uma extensa cadeia econômica já foi mobilizada. Projeto e engenharia, construção naval, compósitos, resinas, marcenaria, estofamento, vidros, sistemas elétricos, motores, eletrônica embarcada, equipamentos de navegação e segurança, pintura, acabamentos, acessórios, transporte e logística são apenas algumas das atividades envolvidas na produção.
Depois da entrega, começa outro ciclo econômico. Marinas e garagens náuticas, manutenção, mecânica, abastecimento, seguros, comércio de peças e equipamentos, serviços especializados, formação profissional e turismo náutico passam a integrar a vida útil daquela embarcação.
O barco é o produto final visível de uma cadeia econômica muito maior. É por isso que o desenvolvimento náutico precisa ser compreendido dentro de uma visão ampla da Economia do Mar, especialmente quando se fala em geração de emprego, renda, inovação e desenvolvimento econômico.
Itajaí ocupa posição estratégica na produção nacional
Itajaí consolidou nos últimos anos um importante ecossistema de construção de embarcações, reunindo grandes estaleiros, empresas fornecedoras, prestadores de serviços e profissionais especializados. Hoje, o município concentra cerca de 35% da produção nacional de embarcações, o que o coloca na liderança do setor no país.
Santa Catarina, por sua vez, responde por cerca de 70% da produção brasileira de barcos a motor, colocando o estado no centro de uma cadeia que atende tanto o mercado interno quanto compradores internacionais. Mais do que uma concentração de estaleiros, esse ambiente favorece o desenvolvimento de fornecedores, tecnologia, conhecimento técnico e serviços especializados.
O crescimento das importações também revela uma indústria em expansão
Outro indicador ajuda a entender o momento do setor. No primeiro semestre de 2026, as importações brasileiras ligadas à construção de embarcações de esporte e lazer alcançaram US$ 75,6 milhões, alta de 23% em relação aos US$ 61,5 milhões do mesmo período de 2025. Motores, sistemas eletrônicos, radares, estabilizadores, resinas, componentes e materiais de acabamento estão entre os produtos dessa cadeia.
O movimento mostra uma indústria cada vez mais tecnológica e integrada às cadeias globais de fornecimento. Ao mesmo tempo, abre uma discussão importante sobre oportunidades para o desenvolvimento de fornecedores nacionais, inovação tecnológica e geração de novos negócios dentro do próprio país.
Exportar significa agregar valor
Quando uma embarcação construída no Brasil é vendida no exterior, o país não exporta apenas um produto. Exporta engenharia, design, tecnologia, conhecimento, mão de obra especializada e capacidade industrial. É esse valor agregado que torna o setor náutico tão relevante para uma estratégia de desenvolvimento econômico.
O crescimento de 93% nas exportações de Itajaí em apenas um ano mostra que existe mercado internacional para a produção brasileira e reforça a necessidade de criar condições para que essa atividade continue avançando.
Crescimento exige estrutura
O avanço do setor também traz novos desafios. Infraestrutura náutica adequada, formação e qualificação profissional, segurança jurídica, inovação, sustentabilidade, acesso à tecnologia, ambiente favorável aos investimentos e políticas públicas alinhadas às características da atividade são fundamentais para sustentar esse crescimento. São temas que a ACATMAR vem colocando no centro do debate sobre o desenvolvimento do setor náutico e da Economia do Mar.
"Cada barco que sai de Itajaí carrega junto centenas de empregos, dezenas de fornecedores e muita tecnologia brasileira. Exportar embarcação é exportar conhecimento e mão de obra qualificada. Por isso defendemos que o setor náutico seja tratado como o que ele é: uma indústria estratégica da Economia do Mar", afirma Mané Ferrari, presidente da ACATMAR.
Os US$ 8,7 milhões exportados por Itajaí no primeiro semestre de 2026 são, portanto, muito mais do que um número de comércio exterior. Representam uma cadeia que produz, emprega, compra, vende, desenvolve tecnologia, movimenta serviços e leva produtos brasileiros de alto valor agregado ao mercado internacional.
O setor náutico é indústria. É serviço. É tecnologia. É emprego. É exportação. É Economia do Mar.
Dados de comércio exterior: Comex Stat/MDIC.



