Indústria náutica catarinense: uma cadeia produtiva que gera emprego e renda

Santa Catarina se consolidou como o principal polo náutico do Brasil, e os números ajudam a entender o tamanho desse trabalho. O Estado concentra 68% das exportações brasileiras de embarcações de lazer e reúne uma cadeia produtiva madura, que envolve mais de mil empresas ligadas à Economia do Mar. O tema foi destaque em reportagem do Jornal ND, na edição de 8 e 9 de agosto, que ouviu o presidente da ACATMAR (Associação Náutica Brasileira), Mané Ferrari.
Para Ferrari, a liderança catarinense não é obra de uma empresa só. Ela nasce do empreendedorismo, de políticas públicas acertadas e, principalmente, da formação de uma cadeia produtiva altamente especializada. "Precisamos mostrar que não estamos falando apenas de um bem de luxo, mas de uma cadeia econômica que gera emprego, renda, turismo e desenvolvimento", resume.
Os números do setor
Segundo os dados reunidos na reportagem, 1.028 empresas integram a Economia do Mar em Santa Catarina. O Estado tem cerca de 50 mil embarcações de esporte e recreio registradas e responde por mais de dois terços de tudo o que o Brasil exporta em barcos de lazer. Cada embarcação de médio e grande porte gera, em média, 4 empregos diretos e outros 8 indiretos, o que mostra como a atividade se espalha por toda a economia.
Muitas mãos em cada barco
Um barco pronto é a soma do trabalho de dezenas de empresas e profissionais. Há quem cuide da estrutura e do casco, com fibra de vidro, resinas e compósitos. Há os fornecedores de motores, transmissão e sistemas de direção. Vem o acabamento interno, com marcenaria, móveis planejados e revestimentos. Somam-se o convés e o design, em inox e madeira; os sistemas elétricos e eletrônicos, da navegação à iluminação; os itens de conforto, como climatização e geradores; e, por fim, a pintura e a proteção. Cada uma dessas etapas é uma empresa, um ofício, um posto de trabalho. É a cadeia produtiva funcionando junta.
A mão de obra e a capacitação
Boa parte desses profissionais aprendeu o ofício dentro das próprias fábricas e foi crescendo na carreira. É comum encontrar quem entrou como auxiliar e hoje lidera equipes, e cada vez mais mulheres ocupam funções na produção. Para manter esse ritmo, a formação é decisiva. O curso de Engenharia Naval da UFSC, criado em 2009, forma mão de obra qualificada e desenvolve pesquisas em novos materiais e automação. A ACATMAR mantém programas de capacitação e trabalha, em parceria com o IFSC, na implantação da Escola do Mar, voltada a formar profissionais para o setor.
Um mercado aquecido, com desafios
Ferrari avalia que o mercado segue aquecido, especialmente depois da pandemia. "Mesmo num ambiente de incertezas econômicas, vemos estaleiros investindo, ampliando fábricas e contratando funcionários", afirma. Entre os desafios dos próximos anos, ele aponta a necessidade de preservar a competitividade diante da reforma tributária e de ampliar a oferta de mão de obra qualificada. O presidente da ACATMAR estima que a Economia Azul catarinense pode crescer cerca de 10% ao ano, desde que o Estado siga investindo em infraestrutura, qualificação e incentivo ao setor.
O marco de 2009
Um ponto de virada para o setor foi 2009, ano de criação do Programa de Incentivo à Indústria Náutica e também do curso de Engenharia Naval da UFSC. A medida estimulou a instalação de novas empresas, atraiu fabricantes e fornecedores e ajudou a consolidar os polos industriais da Grande Florianópolis e do Vale do Itajaí. De lá para cá, o setor cresceu e se organizou em torno de uma cadeia que hoje é referência no país.
A reportagem do Jornal ND reforça uma mensagem que a ACATMAR repete: a força da náutica catarinense está nas pessoas e nas empresas que constroem, todos os dias, cada embarcação. É uma economia do mar que gera emprego, renda e futuro para Santa Catarina.
Créditos: reportagem de Paulo Rolemberg e Nícolas Horácio, com fotos de Alan Plumdno, publicada no Jornal ND, editoria de Economia, edição de sábado e domingo, 8 e 9 de agosto de 2026. As imagens reproduzidas nesta página correspondem às páginas 6 e 7 dessa edição e pertencem ao Jornal ND.



