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Sustentabilidade

205 toneladas retiradas do mar em 12 anos: por que o Limpeza dos Mares importa para o setor náutico

15 de setembro de 2026
205 toneladas retiradas do mar em 12 anos: por que o Limpeza dos Mares importa para o setor náutico
Foto: Divulgação Limpeza dos Mares

O Limpeza dos Mares fechou em setembro mais uma edição do ciclo anual de palestras de educação ambiental, com mais de 5 mil estudantes alcançados em cerca de 20 escolas públicas e privadas da Grande Florianópolis. O trabalho ganhou destaque na imprensa catarinense nesta semana e, mais do que um balanço, abre uma agenda cheia até o verão.

Em 12 anos de atuação, o projeto idealizado pela ACATMAR, Associação Náutica Brasileira, já retirou 205 toneladas de resíduos do fundo do mar, em 54 etapas diferentes, com a participação de mais de 5 mil voluntários. É um dos programas de limpeza aquática mais consistentes do país, e chama atenção justamente por não parar na retirada do lixo.

A agenda até o verão

A próxima ação acontece no sábado, 19 de setembro, em alusão ao Dia Mundial da Limpeza, celebrado no dia 20. Em Porto Belo, mergulhadores retiram resíduos do fundo do mar na praia do Caixa D'Aço.

No início de outubro, representantes do projeto seguem para o Salão Náutico de Gênova, na Itália, para um intercâmbio com a Assonautica Italiana. Lá serão distribuídas edições da revista da Turma do Limpeza dos Mares traduzidas para o italiano.

Em novembro chegam as Olimpíadas do Limpeza dos Mares, que alcançam a terceira edição em 2026. A programação está prevista para 28 de novembro, em Jurerê, em Florianópolis, e deve reunir centenas de estudantes de todo o estado.

Também a partir de novembro começa a Blitz Limpeza dos Mares, que aborda embarcações com campanhas de conscientização sobre o descarte irregular de lixo em alto-mar. A ação segue até o Carnaval. Em 12 de dezembro, abrem os projetos de verão.

Por que isso importa para o setor náutico

É comum tratar educação ambiental como um assunto à parte, que corre em paralelo ao negócio. No setor náutico não é assim. O mar limpo é a matéria-prima da atividade, e isso aparece na conta de todo mundo que vive dele.

Marina, estaleiro, revenda, escola náutica, operador de turismo, prestador de serviço, pescador e mergulhador dependem da mesma água. Quando a água perde qualidade, o passeio perde valor, o destino perde procura e o barco perde atratividade. Nenhum investimento em marina ou em embarcação se sustenta em uma orla suja.

Há também o efeito prático, que quem navega conhece: resíduo submerso é risco de avaria. Sacola e cabo enroscados no hélice, plástico na tomada de água do motor e material flutuante no canal de acesso viram parada, guincho e conserto. Cada tonelada retirada do fundo é também manutenção evitada.

Some-se a isso a pressão legítima por responsabilidade ambiental. Licenciamento, certificações, programas como o Bandeira Azul e as exigências de investidores e clientes internacionais pedem prova de compromisso, não discurso. Um projeto com 12 anos de estrada, 54 etapas e números auditáveis é esse tipo de prova.

E existe o lado que dá retorno mais lento, porém mais profundo: formação de público. A criança que entende hoje por que o lixo não pode ir para o rio é quem daqui a dez anos vai alugar um barco, trabalhar numa marina ou comprar a primeira embarcação. O setor náutico brasileiro precisa de gente nova, e gente nova chega por afeto ao mar.

"Ouvimos relatos de crianças que falam: vi minha vó jogando lixo no lugar errado e expliquei para ela o jeito certo", conta Leandro "Mané" Ferrari, presidente da ACATMAR, ao destacar que o alcance do projeto passa da sala de aula para dentro das casas. Ele comemora ainda a participação maior dos pais nas atividades.

Da praia para o barco

A Blitz Limpeza dos Mares mostra bem essa lógica aplicada ao dia a dia de quem usa o mar. Em vez de falar só com a escola, a equipe vai até a embarcação.

"Distribuímos kits com utensílios domésticos feitos de lixo reciclado retirado dos mares, e também distribuímos cartilhas educativas", explica Mané Ferrari.

É conscientização feita no lugar onde o problema acontece, com o público que pode resolvê-lo. Para o setor, é a diferença entre reclamar do lixo no mar e trabalhar para que ele não chegue lá.

Uma pauta que atravessa o setor

A ACATMAR entende a Economia do Mar como uma cadeia que vai do estaleiro ao turismo, passando por indústria, comércio, serviços, pesca e formação profissional. Preservar o ambiente que sustenta essa cadeia não é ação social isolada, é condição para que ela continue existindo.

Por isso o Limpeza dos Mares não é apenas um projeto ambiental da associação. É parte da mesma agenda que discute regulamentação, qualificação de mão de obra, infraestrutura náutica e competitividade. Mar sujo é prejuízo, e mar limpo é negócio.

Sobre o Limpeza dos Mares

O Limpeza dos Mares é um projeto socioambiental dedicado à preservação dos ambientes aquáticos. A iniciativa alia ações de retirada de resíduos de rios, praias e do mar a um trabalho permanente de educação e conscientização ambiental. Além dos mutirões, o projeto chama atenção para o chamado "lixo que ninguém vê": resíduos submersos e de difícil acesso, que se acumulam sob a água e afetam diretamente os ecossistemas e a vida marinha.

Realização e apoiadores

Patrocínio mantenedorFort Atacadista
RealizaçãoMundo Mar Consulting · ACATMAR · Acquanauta Floripa
Apoio oficial da etapaBlue Nautical Hub Brasil · Marina Atlântida · Blue Fox Marina · Mano's Comunicação Visual · Iate Clube de Santa Catarina (Veleiros da Ilha)
Apoio institucionalPrefeitura de Florianópolis · Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina · Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina · Capitania dos Portos de Santa Catarina · SEMAE · ICMBio · Programa Bandeira Azul
Conheça o Limpeza dos Mares →
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